Arquivo do mês: julho 2009

Introdução à Estrutura Sintática

A estrutura das sentenças japonesas é diferente das outras línguas. O português, basicamente, segue a estrutura SVO, isto é, Sujeito primeiro, seguido pelo verbo e por último o objeto. Assim, uma frase típica construída no português se pareceria com isto:

“Maria(Sujeito) come(verbo) uma maça(objeto)”.

Já o japonês tem o que podemos chamar de “Estrutura Sintática Explícita”. Isto significa que os elementos numa oração japonesa, com exceção do verbo e advérbios, são identificados por partículas de acordo com sua função sintática. Vejamos o exemplo:

マリアはりんごをたべます。

  • マリア は – Maria + partícula de tópico;
  • りんご を – Maçã + partícula de objeto;
  • たべます。 – Verbo comer conjugado no presente.

As partículas は (lê-se WA) e を(lê-se O) identificam respectivamente o tópico da conversa e o objeto direto do verbo. Se trocássemos as partículas de lugar e construíssemos esta frase “マリアをリンゴはたべます。” teríamos outra tradução: “Maçã come a Maria”.

Atente para o fato que no exemplo anterior o Objeto da oração veio antes do tópico. Isto porque, por ter uma estrutura sintática explicita, nós sabemos o que é sujeito e o que é objeto numa frase pelas partículas que os acompanham, e não por sua posição na oração. Porém, tipicamente inicia-se a frase com o tópico ou sujeito, seguido dos demais elementos da oração (objeto, advérbios, adjetivos, complementos nominais, etc) e se encerra a frase com o verbo.

Podemos extrair daí nossa “regra geral” da estrutura sintática japonesa: Numa oração, o tópico/sujeito aparece, normalmente, no início, e o verbo vem sempre no final.

Os outros elementos ou vêm determinados por partículas ou é implícito sua função na frase, como no caso dos advérbios. Alguns livros de japonês ensinam uma série de padrões para os estudantes para facilitar o aprendizado das estruturas. De maneira geral, podemos seguir estes esquemas para orações mais complexas. Veja o esquema abaixo:

Estrutura

Com exceção do tópico e do núcleo do predicado, aparecem na oração os elementos de acordo com a ordem apresentada no esquema, de cima para baixo. Se numa frase eu tenho um objeto direto e um lugar, eu falo o lugar antes do objeto.

Cada um dos elementos entre o tópico e o núcleo do predicado apresentados possui uma partícula que identifica sua função na frase. Logo aprenderemos quais partículas são essas, e suas respectivas funções.

Voltando ao assunto de hoje, vejamos mais alguns exemplos:

“Makoto-san vai à escola.”

まことさんは がっこうに いきます

Makoto-san + partícula は – escola + partícula に – verbo ir.

“Eu estava cantando uma música com Mariko ontem à noite no karaokê.”

わたしは きのうのよる カラオケで まりこさんと うたを うたっていました

Eu + partícula は – ontem à noite – karaokê + partículaで– Mariko-san + partícula と– música + partícula を – verbo cantar no passado.

Bom, por hoje é só. Na próxima aula, vou explicar a diferença entre tópico e sujeito. Até mais!

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Kanji – Uma introdução

Kanji

Kanji

Já vimos, no post História da Escrita Japonesa, a origem dos Kanji, os ideogramas japoneses. Aprendemos que os kanji japoneses foram importados da China por volta do século VI, mas o que são esses símbolos?

Kanji são signos que não evocam um som ou letra, mas diretamente uma idéia. Numa explicação simples, um kanji é um só símbolo que corresponde a uma palavra inteira. Os kanji são usados, na língua japonesa, para se escrever substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. Diferente do chinês, o japonês não é escrito somente com ideogramas.

Não se sabe ao certo quantos kanji existem. São pelo menos 50 mil. Mas não se assuste! Não precisaremos aprender essa quantidade toda, aliás, nem mesmo os japoneses comuns conhecem todos esses kanji. Deste total, 1.945 são conhecidos como じょうようかんじ, os kanji de uso comum. A maioria dos jornais e meios de comunicação se limita a usar apenas estes Kanji, e eles são aprendidos na escola. É o mínimo necessário para se virar no Japão, então, pelo menos estes teremos que aprender.

O teste de proficiência da língua japonesa (JLPT) exige o conhecimento de certo número de kanji para cada nível de dificuldade, a saber:

Nível do teste

Número de Kanji e palavras

Nível 4 (Básico I)

Cerca de 100 kanji e 800 palavras

Nível 3 (Básico II)

Cerca de 300 kanji e 1.500 palavras

Nível 2 (Intermediário)

Cerca de 1,000 kanji e 6.000 palavras

Nível 1 (Avançado)

Cerca de 2,000 kanji e 10.000 palavras

Leituras

Visto que os kanji têm origem chinesa, no Japão há pelo menos duas leituras para os ideogramas, isto é, ao nos depararmos com um kanji, que é um símbolo escrito, temos pelo menos de dois modos de verbalizá-lo.

A leitura chinesa, chamada おんよみ, é uma aproximação da pronúncia chinesa na época de introdução dos ideogramas no Japão. Visto que alguns kanji vieram de diferentes regiões da China, podem existir diversas leituras おんよみ para o mesmo ideograma. Ex.:東 (leste) lê-se とうna leitura chinesa.

Já a leitura japonesa, くんよみ, é a leitura nativa dos ideogramas, baseada em seus correspondentes em japonês na época de introdução da escrita chinesa. De modo semelhante à leitura chinesa, pode haver diversas leituras nativas para um mesmo kanji, ou até mesmo nenhuma, se o kanji não tinha nenhuma palavra correspondente em japonês na época. Ex.: 東 (leste) lê-se ひがし ou あずま na leitura japonesa.

Há também uma terceira leitura, na qual os kanji são lidos pelo significado do conjunto, e não pela aglutinação de cada leitura individual dos ideogramas, ignorando-se as leituras おんよみ e くんよみ. Esta leitura, obviamente, somente existe em palavras compostas por mais de um kanji. Ex.: A palavra 明後日, formada pelos kanji 明(“amanhã”) + 後(depois) + 日(dia), isto é “dia depois de amanhã”. Podemos pronunciar este kanji みょごにち, pronúncia dada pela leitura individual de cada ideograma, mas esta palavra também pode ser lida como あさって, que é a palavra japonesa para “depois de amanhã”.

Agora você deve estar se perguntando: “quando usar cada leitura?” Não existem regras gramaticais que digam quando se usa a leitura chinesa ou a leitura japonesa, o que torna o aprendizado e uso dos kanji um dos elementos mais difíceis da língua japonesa.

Existem, entretanto, algumas “regras” informalmente usadas por quem inicia o estudo do japonês: Utiliza-se a leitura japonesa quando o kanji está sozinho ou é usado para escrever o nome de uma pessoa, e a leitura chinesa quando o kanji é usado em conjunto de outros ideogramas. Essas regras não funcionam sempre, por isso é necessário atenção na leitura de ideogramas. O melhor amigo do estudante de japonês nesta hora é o dicionário.

Anexo: Lista de Kanji Comuns (sem significados)

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Vogais Longas e Consoantes Duplas

Encerrando a introdução à parte fonética da língua japonesa, veremos hoje as Vogais Longas e as Consoantes Duplas.

Vogais Longas

Vogal longa é o termo que indica alongamento vocálico das sílabas. Em katakana, a indicação da vogal longa na palavra é feita com a adição de um travessão ー, chamado ちょうおん, após a sílaba com a vogal longa.

No hiragana, para indicar as vogais longas adicionamos um Kana que represente uma vogal após a sílaba com a vogal alongada. Vejamos as regras abaixo.

Para sílabas terminadas por A, I e U, apenas adicionamos, respectivamente, あ、い、う, após a sílaba para indicar a vogal longa.

くうそ (vazio)

いいえ (não)

Para sílabas terminadas em E e O, a regra geral indica que escrevamos ao final da sílaba, respectivamente, い e う.

せんせい (professor)

ありがとう(obrigado)

Porém, existem algumas palavras cujas vogais longas nativamente têm a escrita fixada pela adição das vogais え eお. Por exemplo,  おうい(trono) e おおい(muitos) são palavras homófonas, mas a vogal longa é representada de maneira diferente.

Consoantes Duplas

Consoante dupla é uma pequena pausa entre sílabas. Este nome vem da representação em Romanji desta pausa, que se dá pela duplicação da primeira consoante após a pausa. Pode existir esta pequena pausa antes de sílabas iniciadas por K, S, T, P, G e D . A consoante dupla, tanto no hiragana, quanto no katakana, é representada pela colocação de um pequeno tsu (chamado de そくおん) no local da pausa.

Veja a diferença de tamanho entre o Tsu normal e o pequeno tsu: つっ / ツッ

まって(espere)

きっさてん (casa de chá)

がっこお (escola)

ポップ (Pop, do inglês)

パックと (pacto)

Por essa semana é só… Semana que vem vamos dar uma primeira olhada nos Kanji.

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