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História da Escrita Japonesa

A escrita foi introduzida no Japão entre os séculos VI e VII d.C. vindo da China. Sem um sistema de escrita nativo, os japoneses inicialmente aprenderam a escrever chinês utilizando caracteres chineses. Chegando ao fim do século VII d.C., o povo japonês já havia adaptado a escrita chinesa e estava utilizando caracteres chineses para escrever a língua japonesa. A língua chinesa, porém, era muito diferente da japonesa (não eram nem mesmo da mesma família lingüística), o que demandou uma complexa reconfiguração da escrita chinesa por parte dos japoneses.

Ideogramas Chineses
Ideogramas Chineses

O chinês tem um sistema de escrita parte ideogramático, parte silábico, isto é, com alguns ideogramas representando conceitos (objetos, ações e idéias) e outros ideogramas representando sílabas fonéticas. Quando utilizando a escrita chinesa, os japoneses primeiramente a utilizaram foneticamente. Se queriam escrever a palavra japonesa ONNA (mulher), por exemplo, utilizavam dois caracteres chineses: um para o fonema ON e outro para o fonema NA. Após algum tempo, passaram a utilizar a escrita chinesa ideogramaticamente. Para escrever ONNA utilizavam o ideograma chinês que significava mulher. Este estilo de escrita, que caracterizou a escrita japonesa até o século VII, é conhecido com Kanji.

Ideograma que significa Meditação. Em chinês, lê-se "Chan", enquanto em japones, lê-se "Zen"
Ideograma que significa Meditação. Em chinês, lê-se “Chan”, e em japones, lê-se “Zen”

O problema aparece quando não há correspondentes chineses para palavras japonesas. A solução foi a reutilização de ideogramas foneticamente, baseado agora tanto na língua japonesa quanto na língua chinesa. O sobrenome YAMAGUCHI, por exemplo, era escrito por três ideogramas. O primeiro era o ideograma chinês para montanha, que em japonês lia-se YAMA (em chinês era lido “shang”), enquanto os outros dois eram os correspondentes chineses para os fonemas GU e CHI.

O sistema de escrita fonética exclusivamente japonês, os Kana (que significa “palavras emprestadas”), surgiu apenas no século VII, quando dois silabários foram criados no Japão baseados em ideogramas chineses: o Hirigana e o Katakana. Os Kana vieram substituir a utilização de ideogramas chineses de maneira fonética.

Duas sílabas japonesas derivadas do ideograma chinês "Onna" (mulher)
Dois kana japoneses derivados do ideograma chinês “Onna” (mulher)

Atualmente, a escrita japonesa não possui um alfabeto propriamente dito, mas um sistema de ideogramas (Kanji) e dois silabários fonéticos (os Kana). O kanji tem uma função eminentemente semântica enquanto os Kana são usados para indicar a flexão verbal, empregados como partículas e na escrita de palavras simples, onomatopéias e palavras estrangeiras. Mais detalhes nos proximos posts.

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