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Vogais Longas e Consoantes Duplas

Encerrando a introdução à parte fonética da língua japonesa, veremos hoje as Vogais Longas e as Consoantes Duplas.

Vogais Longas

Vogal longa é o termo que indica alongamento vocálico das sílabas. Em katakana, a indicação da vogal longa na palavra é feita com a adição de um travessão ー, chamado ちょうおん, após a sílaba com a vogal longa.

No hiragana, para indicar as vogais longas adicionamos um Kana que represente uma vogal após a sílaba com a vogal alongada. Vejamos as regras abaixo.

Para sílabas terminadas por A, I e U, apenas adicionamos, respectivamente, あ、い、う, após a sílaba para indicar a vogal longa.

くうそ (vazio)

いいえ (não)

Para sílabas terminadas em E e O, a regra geral indica que escrevamos ao final da sílaba, respectivamente, い e う.

せんせい (professor)

ありがとう(obrigado)

Porém, existem algumas palavras cujas vogais longas nativamente têm a escrita fixada pela adição das vogais え eお. Por exemplo,  おうい(trono) e おおい(muitos) são palavras homófonas, mas a vogal longa é representada de maneira diferente.

Consoantes Duplas

Consoante dupla é uma pequena pausa entre sílabas. Este nome vem da representação em Romanji desta pausa, que se dá pela duplicação da primeira consoante após a pausa. Pode existir esta pequena pausa antes de sílabas iniciadas por K, S, T, P, G e D . A consoante dupla, tanto no hiragana, quanto no katakana, é representada pela colocação de um pequeno tsu (chamado de そくおん) no local da pausa.

Veja a diferença de tamanho entre o Tsu normal e o pequeno tsu: つっ / ツッ

まって(espere)

きっさてん (casa de chá)

がっこお (escola)

ポップ (Pop, do inglês)

パックと (pacto)

Por essa semana é só… Semana que vem vamos dar uma primeira olhada nos Kanji.

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Katakana

Continuando o estudo dos silabários japoneses, chegamos ao Katakana. Sua principal função é a escrita de palavras derivadas de qualquer língua estrangeira. O katakana também é usado na escrita de onomatopéias (abundantes nos mangás), e ainda para dar ênfase em certas palavras de um texto (é equivalente ao nosso texto em negrito ou em caixa alta). O katakana, assim como hiragana, foi criado a partir de ideogramas.

Kanji que deram origem ao Katakana
Kanji que deram origem ao Katakana

Sons Puros e impuros

Como no hiragana, temos 46 sons puros que derivam sons impuros com a adição Dakuten (para as sílabas iniciadas por K, S, T e H) e do handakuten (sílabas iniciadas por H somente). Vejamos a tabela:

アa イi ウu エe オo
カka キki クku ケke コko
サsa シshi スsu セse ソso
タta チchi ツtsu テte トto
ナna ニni ヌnu ネne ノno
ハha ヒhi フfu ヘhe ホho
マma ミmi ムmu メme モmo
ヤya ユyu ヨyo
ラra リri ルru レre ロro
ワwa ヲwo 2
ンn
ガga ギgi グgu ゲge ゴgo
ザza ジji ズzu ゼze ゾzo
ダda ヂji ヅdzu デde ドdo
バba ビbi ブbu ベbe ボbo
パpa ピpi プpu ペpe ポpo

O sistema fonético japonês é bem pobre se comparado com outras línguas. Por se tratar de um sistema silábico, não temos em japonês os sons isolados de consoantes (com exceção do ん, que pode ser usado isoladamente). Não temos, também, equivalentes nativos para os sons de L, J, X, NH e V. Além disto, os silabários japoneses não têm as seguintes sílabas: fa, fe, fi, fo, she, che, je, ti, di, zi, du e zu. Para superar essas limitações, criou-se um sistema de adaptação para os fonemas inexistentes em japonês. Vejamos abaixo alguns fonemas criados com o uso de seus equivalentes aproximados em japonês.

Adaptações para fonemas estrangeiros
イィyi イェye
ヴァva ヴィvi ヴvu ヴェve ヴォvo
シェshe
ジェje
チェche
スィsi
ズィzi
ティti トゥtu
ディdi ドゥdu
ツァtsa ツィtsi ツェtse ツォtso
ファfa フィfi ホゥhu フェfe フォfo
リェrye
ウァwa ウィwi ウゥwu ウェwe ウォwo
クァkwa クィkwi クゥkwu クェkwe クォkwo
グァgwa グィgwi グゥgwu グェgwe グォgwo

Algumas observações merecem ser destacadas:

  • A regra de ouro é tentar transcrever para o japonês a pronúncia da palavra como usada no seu idioma de origem utilizando os fonemas do silabário japonês. Com isso em mente, não preciso dizer que Renato se escreve em japonês ヘナト;
  • O som tanto de “V” quanto da sílaba “vu” é representado pela vogal u com um dakuten (ヴ), e as sílabas derivadas (va, ve, vi e vo) são criadas com uma justaposição com a vogal correspondente como um tamanho um pouco menor do que o normal;
  • De modo parecido, sílabas iniciadas por F são construídas justapondo-se a sílaba japonesa フ com uma vogal  com tamanho reduzido;
  • Usam-se as sílabas japonesas iniciadas por R para representar sílabas iniciadas por L sempre. Ex.: Laura – ラウラ. Usa-se ル para o som de L isolado (Sal – サル);
  • O som de consoantes isoladas é representado pela sílaba correspondente composta com a vogal “u” (ク、グ、ス、ズ、フ、ブ、プ、ル), visto que em japonês estas sílabas tem o “u” falado de maneira fraca (se assistem Naruto, lembrem que o nome do Sasuke é quase que pronunciado “Saske”). Ex.: Marc –マルク.
  • Uma exceção a regra acima é no caso de T e D, visto que não existe nativamente TU e DU. Neste caso, utiliza-se ト e ド.
  • Podemos escrever três casos de dígrafo (NHA, NHU e NHO) com os ditongos japoneses ニャ, ニュ e ニョ.

Por fim temos a tabela de ditongos do katakana.  A construção é idêntica aos ditongos do hiragana.

Ditongos
ャya ュyu ョyo
キャkya キュkyu キョkyo
シャsha シュshu ショsho
チャcha チュchu チョcho
ニャnya ニュnyu ニョnyo
ヒャhya ヒュhyu ヒョhyo
ミャmya ミュmyu ミョmyo
リャrya リュryu リョryo
ギャgya ギュgyu ギョgyo
ジャja ジュju ジョjo
ヂャja ヂュju ヂョjo
ビャbya ビュbyu ビョbyo
ピャpya ピュpyu ピョpyo
ヴャvya ヴュvyu ヴョvyo
テャtya テュtyu テョtyo
デャdya デュdyu デョdyo
フャfya フュfyu フョfyo
ウャwya ウュwyu ウョwyo

Bem, por ora é só. Pratiquem bastante este silabário escrevendo seus próprios nomes como o Katakana, bem como títulos de animes e filmes em línguas que não o japonês.

Até a próxima semana!

Exercícios

Escrevendo Katakana

Vocabulário

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Hiragana

Hiragana é o primeiro silabário que vamos aprender. É usado para todas as palavras para as quais não existe kanji, para as quais não se saiba qual o kanji correspondente ou que este seja de uso raro. É usado ainda como partícula nas sentenças e para indicar a flexão verbal. O hiragana, assim como katakana, foi criado a partir de ideogramas chineses para representar os fonemas da lingua japonesa.

Hiriganas derivam de ideogramas chineses

Hiragana deriva de ideogramas chineses

Sons Puros

Este silabário é composto de 46 sílabas chamadas puras, sendo cinco vogais, 40 sílabas compostas pelo binômio “consoante+vogal” e uma sílaba nasalada, com o som de n ou m. Este deve ser o foco inicial dos estudantes, pois a partir destas sílabas puras, podemos construir o resto do silabário. Veja abaixo:

Sons Puros
a i u e o
ka ki ku ke ko
sa shi su se so
ta chi tsu te to
na ni nu ne no
ha hi fu he ho
ma mi mu me mo
ra ri ru re ro
ya yu yo
わ wa を wo
n

Sons Impuros

Os sons impuros, isto é, derivados de outros sons, são conseguidos colocando-se um sinal gráfico na região superior à direita do kana. Existem dois sinais gráficos para isto: o Dakuten ( ) , e o handakuten ( ). O dakuten, também conhecido como ten-ten, é usado nas linhas K, S, T, H. Já o handakuten é apenas usado na linha H. Veja a tabela:

Sons Impuros
ga gi gu ge go
za ji zu ze zo
da ji dzu de do
ba bi bu be bo
pa pi pu pe po

Ditongos

Por fim, temos os ditongos (Youon), formados a partir junção das sílabas da coluna I com as sílabas da Linha Y, sendo que estas últimas, ligeiramente menores. Vejam os exemplos abaixo:

ゃ ya ゅ yu ょ yo
き ki きゃ kya きゅ kyu きょ kyo
し shi しゃ sha しゅ shu しょ sho
ち chi ちゃ cha ちゅ chu ちょ cho
に ni にゃ nya にゅ nyu にょ nyo
ひ hi ひゃ hya ひゅ hyu ひょ hyo
み mi みゃ mya みゅ myu みょ myo
り ri りゃ rya りゅ ryu りょ ryo
ぎ gi ぎゃ gya ぎゅ gyu ぎょ gyo
じ ji じゃ ja じゅ ju じょ jo
び bi びゃ bya びゅ byu びょ byo
ぴ pi ぴゃ pya ぴゅ pyu ぴょ pyo

Estamos quase terminando por hoje. Vamos à pronúncia.

Pronúncia

Vejamos algumas peculiaridades da pronuúncia japonesa:

  • Shi e seus derivados têm som do x em xícara português;
  • Chi e seus derivados têm som do tch em “tchau”;
  • Tsu, que tem som do zu no “Zucker” alemão. O “t” é pronunciado suavemente,um pouco parecido com a forma que é pronunciado o “d” nos verbos no particípio em inglês (“said”, “missed”, etc). Não pronuncie como se houvesse um i entre “t” e o “su”: “Tisu”;
  • Fu é um som diafragmal, uma mistura dos sons portugueses ru (de “rua”) e fu (de “fumaça”), ou /hhu/;
  • O g é sempre forte; com i e e, forma sons semelhantes ao gui e ao gue em portugueses, respectivamente;
  • O h é aspirado, como no inglês, com o som de r como em rato;
  • O r é um desafio! Não existe em japones o fonema /r/ como o usado em português.em “Caro” ou “Pare”. É meio que uma mistura de “r” com “l”, não dá para explicar direito, é preciso ouvir. Se você sabe falar inglês, este vídeo pode ajudar;
  • O n (ん) tem sempre um som nasal;
  • O j tem som do gi no “giorno” italiano, ou /dzh/, ou como J em James (inglês), mas nunca como J em Jorge;
  • じ e ぢ são pronunciados da mesma forma, a maioria das plavras com o fonema ji são escritas em hirigana com じ. Teremos que decorar as exceções.
  • O resto é pronunciado quase que igual ao português, inclusive as vogais.

    Bem, este é o fim da aula de hoje. Os links para os exercícios desta lição estão logo abaixo. Minha dica para acelerar a aprendizagem do hiragana é uma técnica de repetição: aprendam uma linha (as vogais, para começar) e passem para a próxima linha. Quando aprender a nova linha, escrevam em um papel todas as linhas que vocês aprenderam, e passem para a seguinte. Se errarem, comecem o processo de novo pelas vogais. Fazendo isto uma hora por dia, em uma semana vocês terão aprendido quase todo o silabário. Foi assim comigo. É claro que sempre vão fugir à memória algumas sílabas, mas você terá decorado a maioria em pouco tempo.

    Lembrem-se, é muito importante aprender os silabários o quanto antes. Este blog terá muito pouco Romanji (reprodução dos fonemas japoneses em letras ocidentais), por isso, sem o conhecimento dos silabários, os estudos ficarão muito difíceis…

    Exercícios

    Escrevendo Hiragana

    Vocabulário Hiragana

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    História da Escrita Japonesa

    A escrita foi introduzida no Japão entre os séculos VI e VII d.C. vindo da China. Sem um sistema de escrita nativo, os japoneses inicialmente aprenderam a escrever chinês utilizando caracteres chineses. Chegando ao fim do século VII d.C., o povo japonês já havia adaptado a escrita chinesa e estava utilizando caracteres chineses para escrever a língua japonesa. A língua chinesa, porém, era muito diferente da japonesa (não eram nem mesmo da mesma família lingüística), o que demandou uma complexa reconfiguração da escrita chinesa por parte dos japoneses.

    Ideogramas Chineses
    Ideogramas Chineses

    O chinês tem um sistema de escrita parte ideogramático, parte silábico, isto é, com alguns ideogramas representando conceitos (objetos, ações e idéias) e outros ideogramas representando sílabas fonéticas. Quando utilizando a escrita chinesa, os japoneses primeiramente a utilizaram foneticamente. Se queriam escrever a palavra japonesa ONNA (mulher), por exemplo, utilizavam dois caracteres chineses: um para o fonema ON e outro para o fonema NA. Após algum tempo, passaram a utilizar a escrita chinesa ideogramaticamente. Para escrever ONNA utilizavam o ideograma chinês que significava mulher. Este estilo de escrita, que caracterizou a escrita japonesa até o século VII, é conhecido com Kanji.

    Ideograma que significa Meditação. Em chinês, lê-se "Chan", enquanto em japones, lê-se "Zen"
    Ideograma que significa Meditação. Em chinês, lê-se “Chan”, e em japones, lê-se “Zen”

    O problema aparece quando não há correspondentes chineses para palavras japonesas. A solução foi a reutilização de ideogramas foneticamente, baseado agora tanto na língua japonesa quanto na língua chinesa. O sobrenome YAMAGUCHI, por exemplo, era escrito por três ideogramas. O primeiro era o ideograma chinês para montanha, que em japonês lia-se YAMA (em chinês era lido “shang”), enquanto os outros dois eram os correspondentes chineses para os fonemas GU e CHI.

    O sistema de escrita fonética exclusivamente japonês, os Kana (que significa “palavras emprestadas”), surgiu apenas no século VII, quando dois silabários foram criados no Japão baseados em ideogramas chineses: o Hirigana e o Katakana. Os Kana vieram substituir a utilização de ideogramas chineses de maneira fonética.

    Duas sílabas japonesas derivadas do ideograma chinês "Onna" (mulher)
    Dois kana japoneses derivados do ideograma chinês “Onna” (mulher)

    Atualmente, a escrita japonesa não possui um alfabeto propriamente dito, mas um sistema de ideogramas (Kanji) e dois silabários fonéticos (os Kana). O kanji tem uma função eminentemente semântica enquanto os Kana são usados para indicar a flexão verbal, empregados como partículas e na escrita de palavras simples, onomatopéias e palavras estrangeiras. Mais detalhes nos proximos posts.

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    História da Língua Japonesa

    Diferente de línguas européias como o inglês ou francês, cuja origem remonta a uma família lingüística definida (no caso, a Indo-Européia), a língua japonesa não tem uma origem determinada. Apesar da extensa pesquisa dos filólogos japoneses, não existe nenhuma evidência concreta o suficiente para ligar a língua japonesa a uma única família lingüística. Existem algumas teorias circulando na comunidade lingüística quanto à origem da língua japonesa.

    A principal delas liga o japonês à família Altaica, da qual fazem parte o Turco e Coreano.  A linguagem Altaica, falada na região da estepe Transcaspiana, supostamente foi levada ao Japão devido a uma migração maciça destes povos no século XX a.C., sendo considerado o clã Yayoi, imigrantes da região coreana, responsável pela introdução da língua nas ilhas japonesas.

     

    Movimento de Migração da Língua Altaica em 2000 a.C.
    Movimento de Migração da Língua Altaica em 2000 a.C.

     

     

    Existem ainda outras teorias que ressaltam a influência de outras línguas asiáticas na formação da língua japonesa, como as línguas do sudeste asiático (tibetano, vietnamita) e da Polinésia. A mais aceita das teorias é a híbrida que alude a influencia das línguas austronésias, como o Malaio e outras línguas do Pacífico, na formação lexical da maioria dos termos japoneses.

     

    Influências na formação da língua Japonesa
    Influências na formação da língua Japonesa

     

     

    Com a introdução da cultura chinesa, a língua japonesa sofreu uma profunda alteração, posto que novos meios de pensamento e expressão também foram introduzidos. Apesar de a maioria das palavras japonesas derivarem-se do chinês (cerca de sessenta por cento), a gramática japonesa parece não ter se alterado muito neste processo.

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