Arquivo da tag: lista

Kanji – Uma introdução

Kanji

Kanji

Já vimos, no post História da Escrita Japonesa, a origem dos Kanji, os ideogramas japoneses. Aprendemos que os kanji japoneses foram importados da China por volta do século VI, mas o que são esses símbolos?

Kanji são signos que não evocam um som ou letra, mas diretamente uma idéia. Numa explicação simples, um kanji é um só símbolo que corresponde a uma palavra inteira. Os kanji são usados, na língua japonesa, para se escrever substantivos, adjetivos, verbos e advérbios. Diferente do chinês, o japonês não é escrito somente com ideogramas.

Não se sabe ao certo quantos kanji existem. São pelo menos 50 mil. Mas não se assuste! Não precisaremos aprender essa quantidade toda, aliás, nem mesmo os japoneses comuns conhecem todos esses kanji. Deste total, 1.945 são conhecidos como じょうようかんじ, os kanji de uso comum. A maioria dos jornais e meios de comunicação se limita a usar apenas estes Kanji, e eles são aprendidos na escola. É o mínimo necessário para se virar no Japão, então, pelo menos estes teremos que aprender.

O teste de proficiência da língua japonesa (JLPT) exige o conhecimento de certo número de kanji para cada nível de dificuldade, a saber:

Nível do teste

Número de Kanji e palavras

Nível 4 (Básico I)

Cerca de 100 kanji e 800 palavras

Nível 3 (Básico II)

Cerca de 300 kanji e 1.500 palavras

Nível 2 (Intermediário)

Cerca de 1,000 kanji e 6.000 palavras

Nível 1 (Avançado)

Cerca de 2,000 kanji e 10.000 palavras

Leituras

Visto que os kanji têm origem chinesa, no Japão há pelo menos duas leituras para os ideogramas, isto é, ao nos depararmos com um kanji, que é um símbolo escrito, temos pelo menos de dois modos de verbalizá-lo.

A leitura chinesa, chamada おんよみ, é uma aproximação da pronúncia chinesa na época de introdução dos ideogramas no Japão. Visto que alguns kanji vieram de diferentes regiões da China, podem existir diversas leituras おんよみ para o mesmo ideograma. Ex.:東 (leste) lê-se とうna leitura chinesa.

Já a leitura japonesa, くんよみ, é a leitura nativa dos ideogramas, baseada em seus correspondentes em japonês na época de introdução da escrita chinesa. De modo semelhante à leitura chinesa, pode haver diversas leituras nativas para um mesmo kanji, ou até mesmo nenhuma, se o kanji não tinha nenhuma palavra correspondente em japonês na época. Ex.: 東 (leste) lê-se ひがし ou あずま na leitura japonesa.

Há também uma terceira leitura, na qual os kanji são lidos pelo significado do conjunto, e não pela aglutinação de cada leitura individual dos ideogramas, ignorando-se as leituras おんよみ e くんよみ. Esta leitura, obviamente, somente existe em palavras compostas por mais de um kanji. Ex.: A palavra 明後日, formada pelos kanji 明(“amanhã”) + 後(depois) + 日(dia), isto é “dia depois de amanhã”. Podemos pronunciar este kanji みょごにち, pronúncia dada pela leitura individual de cada ideograma, mas esta palavra também pode ser lida como あさって, que é a palavra japonesa para “depois de amanhã”.

Agora você deve estar se perguntando: “quando usar cada leitura?” Não existem regras gramaticais que digam quando se usa a leitura chinesa ou a leitura japonesa, o que torna o aprendizado e uso dos kanji um dos elementos mais difíceis da língua japonesa.

Existem, entretanto, algumas “regras” informalmente usadas por quem inicia o estudo do japonês: Utiliza-se a leitura japonesa quando o kanji está sozinho ou é usado para escrever o nome de uma pessoa, e a leitura chinesa quando o kanji é usado em conjunto de outros ideogramas. Essas regras não funcionam sempre, por isso é necessário atenção na leitura de ideogramas. O melhor amigo do estudante de japonês nesta hora é o dicionário.

Anexo: Lista de Kanji Comuns (sem significados)

1 comentário

Arquivado em Morfologia

Katakana

Continuando o estudo dos silabários japoneses, chegamos ao Katakana. Sua principal função é a escrita de palavras derivadas de qualquer língua estrangeira. O katakana também é usado na escrita de onomatopéias (abundantes nos mangás), e ainda para dar ênfase em certas palavras de um texto (é equivalente ao nosso texto em negrito ou em caixa alta). O katakana, assim como hiragana, foi criado a partir de ideogramas.

Kanji que deram origem ao Katakana
Kanji que deram origem ao Katakana

Sons Puros e impuros

Como no hiragana, temos 46 sons puros que derivam sons impuros com a adição Dakuten (para as sílabas iniciadas por K, S, T e H) e do handakuten (sílabas iniciadas por H somente). Vejamos a tabela:

アa イi ウu エe オo
カka キki クku ケke コko
サsa シshi スsu セse ソso
タta チchi ツtsu テte トto
ナna ニni ヌnu ネne ノno
ハha ヒhi フfu ヘhe ホho
マma ミmi ムmu メme モmo
ヤya ユyu ヨyo
ラra リri ルru レre ロro
ワwa ヲwo 2
ンn
ガga ギgi グgu ゲge ゴgo
ザza ジji ズzu ゼze ゾzo
ダda ヂji ヅdzu デde ドdo
バba ビbi ブbu ベbe ボbo
パpa ピpi プpu ペpe ポpo

O sistema fonético japonês é bem pobre se comparado com outras línguas. Por se tratar de um sistema silábico, não temos em japonês os sons isolados de consoantes (com exceção do ん, que pode ser usado isoladamente). Não temos, também, equivalentes nativos para os sons de L, J, X, NH e V. Além disto, os silabários japoneses não têm as seguintes sílabas: fa, fe, fi, fo, she, che, je, ti, di, zi, du e zu. Para superar essas limitações, criou-se um sistema de adaptação para os fonemas inexistentes em japonês. Vejamos abaixo alguns fonemas criados com o uso de seus equivalentes aproximados em japonês.

Adaptações para fonemas estrangeiros
イィyi イェye
ヴァva ヴィvi ヴvu ヴェve ヴォvo
シェshe
ジェje
チェche
スィsi
ズィzi
ティti トゥtu
ディdi ドゥdu
ツァtsa ツィtsi ツェtse ツォtso
ファfa フィfi ホゥhu フェfe フォfo
リェrye
ウァwa ウィwi ウゥwu ウェwe ウォwo
クァkwa クィkwi クゥkwu クェkwe クォkwo
グァgwa グィgwi グゥgwu グェgwe グォgwo

Algumas observações merecem ser destacadas:

  • A regra de ouro é tentar transcrever para o japonês a pronúncia da palavra como usada no seu idioma de origem utilizando os fonemas do silabário japonês. Com isso em mente, não preciso dizer que Renato se escreve em japonês ヘナト;
  • O som tanto de “V” quanto da sílaba “vu” é representado pela vogal u com um dakuten (ヴ), e as sílabas derivadas (va, ve, vi e vo) são criadas com uma justaposição com a vogal correspondente como um tamanho um pouco menor do que o normal;
  • De modo parecido, sílabas iniciadas por F são construídas justapondo-se a sílaba japonesa フ com uma vogal  com tamanho reduzido;
  • Usam-se as sílabas japonesas iniciadas por R para representar sílabas iniciadas por L sempre. Ex.: Laura – ラウラ. Usa-se ル para o som de L isolado (Sal – サル);
  • O som de consoantes isoladas é representado pela sílaba correspondente composta com a vogal “u” (ク、グ、ス、ズ、フ、ブ、プ、ル), visto que em japonês estas sílabas tem o “u” falado de maneira fraca (se assistem Naruto, lembrem que o nome do Sasuke é quase que pronunciado “Saske”). Ex.: Marc –マルク.
  • Uma exceção a regra acima é no caso de T e D, visto que não existe nativamente TU e DU. Neste caso, utiliza-se ト e ド.
  • Podemos escrever três casos de dígrafo (NHA, NHU e NHO) com os ditongos japoneses ニャ, ニュ e ニョ.

Por fim temos a tabela de ditongos do katakana.  A construção é idêntica aos ditongos do hiragana.

Ditongos
ャya ュyu ョyo
キャkya キュkyu キョkyo
シャsha シュshu ショsho
チャcha チュchu チョcho
ニャnya ニュnyu ニョnyo
ヒャhya ヒュhyu ヒョhyo
ミャmya ミュmyu ミョmyo
リャrya リュryu リョryo
ギャgya ギュgyu ギョgyo
ジャja ジュju ジョjo
ヂャja ヂュju ヂョjo
ビャbya ビュbyu ビョbyo
ピャpya ピュpyu ピョpyo
ヴャvya ヴュvyu ヴョvyo
テャtya テュtyu テョtyo
デャdya デュdyu デョdyo
フャfya フュfyu フョfyo
ウャwya ウュwyu ウョwyo

Bem, por ora é só. Pratiquem bastante este silabário escrevendo seus próprios nomes como o Katakana, bem como títulos de animes e filmes em línguas que não o japonês.

Até a próxima semana!

Exercícios

Escrevendo Katakana

Vocabulário

Deixe um comentário

Arquivado em Silabário